Via Oral


Um blog sobre textos, aforismos, arte, literatura, arquitetura, humanismo e outras coisas para as quais ninguém dá a mínima. Escrito em encenado nas poucas horas vagas que a atividade de ADA (Arquiteto Doméstico Administrador) permite.
Um espaço perfeitamente adequado à muita conversa fiada, mentiras acreditáveis, ranhetices, rupturas, causos, crônicas e, sobretudo, área disponível aos amigos, uma turma cheia de gaiatices mas que eu adoro.
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quinta-feira, novembro 10, 2005

Gentes, eu não tenho culpa se o texto é grande. Não é meu (ô inveja...) mas é bem legal. Vale uma lida, principalmente as falas do "Grandeus". Noé, também anda hilário, nessa história.


A ARCA DE NOÉ
(ou O Objetivo, Esse Desprezado)
(ou ainda Os Meios Justificam o Fim - A Anti-lei de Maquiavel)

Absalão era um homem que se podia conceituar como justo. Era um estudioso e quando repetia os sábios dizendo que os lados de um quadrado eram iguais, realmente tornava-se difícil entendê-lo. Dos seus 65 anos de idade, a maior parte havia dedicado à arte da guerra, onde conceitos técnicos e científicos eram aplicados. Particularmente, era apaixonado pela organização das forças de combate e o uso de armas avançadas, tais como lanças de grande alcançe, setas orientadas e na última novidade bélica: o lançador de pedras. Era um verdadeiro General. Com o avanço da idade e o aumento correspondente da sabedoria, Absalão também se preocupava com assuntos humanos, os quais, porém, o perturbavam um pouco. O Criador já não era reverenciado, como no seu tempo, os filósofos eram ridicularizados, havia uma inversão completa na política, acreditava-se mais na energia e estultice dos jovens, do que na ponderada e segura orientação dos mais velhos. Um dia Absalão andava na ravina, imerso em seus pensamentos, quando, de repente,

?Puff? - Uma nuvem de fumaça apareceu, acompanhada de uma voz tronitoante:

- ABSALÃO!

Absalão prestou-se apavorado. Só podia ser o Criador, pensou. E era. Em pessoa!

- ABSALÃO - voltou a voz - NÃO ESTOU CONTENTE COM OS HOMENS. ESTÃO POLITIZADOS; GUERREIAM ENTRE SI, E SÓ DEFENDEM INTERESSES PESSOAIS. O TRINÔMIO ADÃO - EVA - COBRA, DEU NISSO. AÍ... FAREI CHOVER POR 40 DIAS E 40 NOITES, ATÉ COBRIR A TERRA DE ÁGUA. ISSO SERÁ CONHECIDO COMO O DILÚVIO. VOU MATAR TODO O MUNDO. MAS QUERO UMA HUMANIDADE NASCIDA DE UM HOMEM INTELIGENTE, PRÁTICO E COM OBJETIVOS. VÁ, E CONSTRUA UM BARCO PARA VOCÊ E SUA FAMÍLIA, E NELE COLOQUE UM CASAL DE CADA SER VIVO. VOCÊ TERÁ QUATRO MESES PARA ESTE EMPREENDIMENTO. MEU CONTATO COM VOCÊ É, DORAVANTE, O ARCANJO GABRIEL, QUE VOCÊS COSTUMAM CHAMAR DE 'MINISTRO DE DEUS'.

?Puff?! ... E a nuvem se foi...

Absalão levantou-se, lívido. O Criador elegera-o gerador da nova Humanidade! Todas as suas idéias seriam propagadas para o futuro!
Mas Absalão nada conhecia de barcos, nem de navegação; porém, não discutiria as ordens recebidas, para não perder a grande oportunidade dada pelo Criador. Absalão era um sexagenário e estava difícil ganhar a vida com o 'status' de que se achava merecedor. Porém... quatro meses... Era muito pouco tempo! Era preciso resolver um problema técnico - construir um barco enorme. Que objetivo! Absalão provaria que era capaz de salvar a humanidade com sapiência dos mais velhos, usando a energia dos mais jovens!
Absalão rebuscou a memória. Conhecia um Engenheiro Naval chamado Neul. Não - Noé! Sim, era este o nome. Noé poderia construir-lhe o barco. Tão logo pensou, tão logo já conversava com Noé:

- Meu Caro - disse Absalão - quero encomendar um barco... e dos grandes!

- Sim, Senhor, mas qual o tipo, para qual a carga, para que navegação?...

- Sim, sim, Noé, isto são detalhes. É um barco para grande carga e águas pesadas. Quero fazer uma longa viagem com a família e levarei tudo.

- Está bem, senhor. Aqui mesmo temos floresta com madeira de densidade 0.8 g/c³, com quantidade suficiente. Se a carga é grande, faremos o centro de gravidade baixo e o centro de empuxo alto, de modo a obter grande estabilidade... Acho que com 10 bons carpinteiros, que consigo arranjar, e mais um mês de trabalho duro, estaremos com o barco pronto...
- Perdão, caro Noé, não quero interrompê-lo, mas como pode ter certeza desta ?cadencidade? da madeira? E se os homens são realmente competentes? E se trabalharão com eficiência?

- Senhor, a unidade a que me refiro chama-se densidade e os homens são carpinteiros, já meus velhos conhecidos...

- Não, não, Noé - disse Absalão, com um sorriso de condescendência. ?Este EMPREENDIMENTO é grande e a coordenação é minha. Serei como que um Presidente e você será o técnico. Combinado??

- Combinado senhor Presidente. O barco é seu e quem manda é o Senhor - retrucou Noé, dando de ombros. Levantou-se para cumprimentar Absalão e retirou-se. Absalão pensou: puxa, não havia pensado nisso! São precisos carpinteiros para cortar as árvores e construir o barco. É preciso selecionar bem estes homens, pois o EMPREENDIMENTO não pode fracassar. Ah! Já me lembro... Meu auxiliar na Cruzada Santa de Três-Pedras fez ótima seleção de lanceiros. Roboão é o seu nome. Hoje está selecionando beterrabas para as indústrias egípcias, mas virá trabalhar comigo, por um salário um pouco maior. E Roboão foi contratado.

- Mas, Chefe, se o técnico disse 10 carpinteiros, precisamos no mínimo de 15. O Senhor sabe, faltas, doenças, férias, turn-over'... E para selecionar bem 15 homens temos que explorar um universo de pelo menos 150 a 200 homens. Levarei algum tempo para isto e precisarei de auxiliares.

- Confio em você Roboão. Já fez um bom trabalho para mim e tem grande experiência com Pessoal. Realmente, achei Noé muito simplista. Convide quem você achar melhor para realizar o recrutamento e a seleção dos homens para a tarefa. Mantenha-me informado. - Certo, Chefe, obrigado pela confiança. Sairei em campo imediatamente.
Naquela noite Absalão dormiu satisfeito. Após a missão do Senhor, em menos de 24 horas já tinha o técnico e o especialista em Pessoal. Dormiu embalado ainda pela algazarra de sua família (20 membros) na festa de inauguração do lançamento do EMPREENDIMENTO. O segundo dia amanheceu tranqüilo e claro. O Presidente foi acordado por Roboão, com boas notícias.

- Chefe, já tenho 5 homens anunciando no povoado. É a fase do recrutamento.
De acordo com o mercado, estamos oferecendo 5 dinheiros.

- Mas, Roboão, minha mulher ganha 9 dinheiros cosendo para fora... Não será pouco?

- Deixe comigo, Chefe; no recrutamento da última batalha pagamos 8 dinheiros para valentes combatentes. Estes são apenas carpinteiros, que não podem ser comparados com a sua senhora. Temos assim 5 recrutadores e 10 examinadores para a fase de seleção, menos do que 10% dos candidatos esperados!

- E quanto ganharão?

- O salário desta equipe varia de 8 a 12 dinheiros, por serem especialistas. Chefe, um probleminha a mais: não quero responsabilidades com o numerário e não sou bom em contas. O trabalho com o pessoal já é bastante. Não acha melhor termos um homem para a gerência financeira do EMPREENDIMENTO?

- Bem lembrado Roboão! Mas não conheço nenhum e deve ser um homem de confiança.

- Chefe, se me permite, quero lembrar-lhe o Judas, aquele nosso velho Capitão, que se ocupava do dinheiro da força de combate?

- Não, não, Roboão. Este negócio de dinheiro com o pessoal das armas não dá certo. Pensaremos em outro: deve ser um especialista na coisa... Você me compreende...

- Então, chefe, poderemos fazer uma seleção entre os candidatos. Sairei em campo. O EMPREENDIMENTO crescia de vento em popa. As equipes de recrutamento e seleção estavam em plena operação. As finanças já tinham um responsável. Mas, onde colocar este pessoal? Absalão partiu, com seu habitual dinamismo e logo adquiriu uma grande cabana de madeira, já com divisórias e tapetes e contratou imediatamente o pessoal de Zeladoria e Segurança, convidando ?alguns antigos conhecidos das forças de combate?. Iniciou-se assim a operação em grande escala.

- Senhor Presidente - falou timidamente a graciosa recepcionista: está aqui o Dr. Noé com alguns desenhos e...

- Minha filha, já lhe disse para não interromper. Diga ao Dr. Noé que falo com ele após o almoço. E dito isso, Absalão continuou a entrevista com o futuro Gerente de Material, Jacob, também seu velho conhecido de carreira, dos tempos da campanha do Sinai.

- Pois é, amigo Jacob, preciso cercar-me de gente de confiança para o sucesso do EMPREENDIMENTO. Material é uma área delicada, não tolerarei desvios de estoque e má especificação dos itens.

- Certo, Chefe, sabe que pode confiar em mim. Nunca sumiu uma flexa ou lança, no meu tempo. Mas o armazenamento de madeira necessita de almoxarifado adequado e de bom almoxarife. Para o controle necessitarei de arquivos Kardex, prateleiras e pessoal de apoio.

- Justo Jacob. Encomende as prateleiras na carpintaria do povoado e fale com o Roboão para o recrutamento do pessoal necessário.
Neste momento entrou Job, o Secretário Executivo do Presidente. Jacob afastou-se discretamente.

- Senhor Presidente, acaba de chegar um relatório da Segurança, indicando certos nomes que não devem ser contratados. Há suspeitas de que alguns não sejam bem confiáveis.

- Ótimo trabalho de Gau, jamais lhe faltou a intuição. Precisamos estar alertas.

- Ah... outra coisa, Senhor Pesidente: O Dr. Noé telefonou novamente. Parece aflito para a aprovação de alguns desenhos.

- Ora, este Noé! Sempre querendo me confundir com cidades de madeira, centros de fluxo, etc. Ele acha que não posso, sozinho, me responsabilizar pela aprovação desses desenhos. Diga-lhe que nomearei um ?grupo de trabalho?, o GT-BAR - Grupo de Trabalho do Barco, para dar-me um parecer. O rapaz é bom de projetos, mas nada entende de custos ou administração por objetivos. Mas, teremos tudo nos eixos tão logo chegue o meu chefe de Administração. Vai colocar ordem e método nesta turma. Quero ver produção! Quinze dias se passaram e o cronograma proposto já estava na mesa do Presidente. Uma Diretoria das Coisas (DC), uma dos Investimentos (DI) e uma de Barco (DB). A DB já havia montado um laboratório especializado para a medida de densidade da madeira, análise de fungos e cupins e já estavam instalados os equipamentos para medida de elasticidade e flexibilidade. A Administração, em apenas 15 dias, já havia elaborado as provas de seleção para o ?selecionamento? do pessoal de apoio, seleção, etc. Roboão, como cumprimento ao Chefe, havia mandado comprar uma charrete último tipo, de 16 rodas e boléia separada, já acompanhada do charreteiro. Naturalmente houve pequeno atrito com Jacob (Chefe do Material), mas como eram antigos companheiros de armas, o incidente foi esquecido e contornada a auditoria. Naquela noite Absalão estava cansado, mas não pode esquivar-se de rereber Noé em sua residência.

- Senhor Presidente, desculpe-me interromper o seu descanso, mas o projeto já está pronto e as pessoas do GT-BAR ainda não foram nomeadas. O material já está especificado, porém o laboratório ainda não emitiu o laudo de aprovação da madeira e não se conseguiu os carpinteiros para o corte... Se o Senhor Presidente pudesse autorizar-me a trazer os carpinteiros conhecidos, do povoado...

- Não se preocupe, Noé. Falarei amanhã com o DB e apresentarei a contratação do pessoal. Você sabe, apesar de ser Presidente, não posso mudar as normas da organização, autorizando diretamente seus carpinteiros. Se o fizesse não precisaria deles. Da chefia vem o exemplo do cumprimento das normas. Não se preocupe que o EMPREENDIMENTO está nas mãos de profissionais os melhores. Boa noite Noé...
Noé afastou-se sem entender muito bem. Havia sido convidado para construir um barco. Agora, estava às voltas com normas, instruções e exames de seleção... Balançou a cabeça - as coisas devem ser complicadas mesmo - e o Presidente é um homem capaz, senão, não seria Presidente. Partiu otimista para sua cabana. Se o Presidente disse, é porque vai indo tudo muito bem.
Vigésimo quinto dia. Manhã linda. Job anuncia a chegada de Roboão.

- Entre logo, meu velho, sente-se. Aceita um leite de cabra?

- Sim, Chefe, obrigado. Por falar nisso, seguindo a lei, mandei distribuir leite de cabra pela manhã e pela tarde, para todos. Já está até codificado o material, para o controle pelo computador. Mas para isto foi necessário adquirir 200 cabras, alugar um pasto e contratar 5 pastores. Jóia Chefe! Veja só: dá 40 cabras por pastor e os pastores só ganham 10 dinheiros. - Você é um bicho na Administração de pessoal Roboão. Falarei ao seu diretor para propor sua promoção na próxima vez. Como vai a sua avaliação pessoal?

- Realmente não sei, Chefe, é confidencial...

- Darei um jeito para que seja boa, afinal já temos 500 pessoas no efetivo e todas passaram por você. E você conseguiu ainda comprimir o quadro, que era de 800 pessoas. Quanto economizaremos em média?

- Nessas 300 pessoas, cerca de 4.000 dinheiros, Chefe! - respondeu Roboão com um sorriso de modesta satisfação. Talvez fosse aumentado para 30 dinheiros, pensou.

- Roboão, não quero incomodá-lo e nem por sombra desfazer do belíssimo trabalho de sua equipe, mas Noé disse que ainda não foram contratados os carpinteiros para o corte...

- Ora, Chefe. Noé é um sonhador. Só pensa nos seus benefícios. Já lhe expliquei a complexidade da contratação. Por exemplo: já aumentamos a oferta para 6 dinheiros, porém todos os carpinteiros candidatos foram reprovados no primeiro psicotécnico. Não adianta contratar pessoal sem aptidão psico-profissional para o corte de madeira. Se não passam nem neste exame, imagina nos outros. Além disso o psicotécnico deve ser o primeiro exame, para eliminar logo os agressivos. O Senhor sabe, com toda essa madeira para cortar, pode haver acidentes muito sérios...

- Realmente você tem razão, Roboão. Noé desconhece o que é uma boa organização. Toque como você achar melhor. Se o contratei é porque tenho total confiança no seu trabalho.

Quadragésimo dia.

Finalmente a primeira reunião de Diretoria. Era o momento solene das grandes decisões de cúpula do EMPREENDIMENTO. Todos com seu melhor terno, sentados à mesa de reunião com suas pastas tipo 007. O Presidente, satisfeito, relatava que o EMPREENDIMENTO era o orgulho do povoado. Havia muito trabalho e emprego para todos. Aproveitando o clima de satisfação, o DC informou que havia feito um convênio com a Escola de Carpinteiros, pois a mão-de-obra necessária, estava aquém do treinamento necessário. Além disso havia criado o Departamento de Recursos Humanos com a missão de re-treinar os carpinteiros para a técnica naval e também treinar datilógrafos, secretárias, auxiliares para administração. Havia também um Departamento de Segurança e Medicina do Trabalho, por força da lei. O ambulatório atendia cerca de 20 pessoas por dia. O DB, aproveitando uma brecha do DC, ponderou timidamente que falta papel para desenho e que a eficiência dos carpinteiros era baixa: havia só um e que cortou 3 árvores, sendo 2 bichadas, de acordo com o último relatório do Controle de Qualidade. Noé, o técnico, estava tentando suprir a falta, desenhando em folhas de bananeira e cortando árvores à noite, após o expediente.
Quando o DB propos aumentar o salário de Noé para 15 dinheiros, o DC explodiu, seguido de perto pelo DI. - Estes tecnocratas paisanos não funcionam e ainda querem aumento: Senhor Presidente, sou de opinião que devemos aumentar a equipe de recrutamento e apertar as provas de seleção. Nossa equipe técnica deixa muito a desejar!

- Perdão, retrucou o DB. O laboratório funciona. Veja que detectou as árvores bichadas. Acontece que não temos o apoio necessário. O Senhor está desviando recursos para a área de Operação do barco, recrutando timoneiros, taifeiros, etc.

- Mas é lógico, - interveio o Presidente - temos que agir com antecedência no treinamento. Treinar é investir no futuro!

No octogésimo dia Absalão passeava na ravina. Estava orgulhoso. Era Presidente de um EMPREENDIMENTO que já estava com 1.200 pessoas. As preocupações de Noé eram infundadas. Não passava de um tecnocrata pessimista. Felizmente já havia o Diretor Técnico para despachar com Noé. Menos um aborrecimento.

Subitamente, ?Puff? - uma nuvem de fumaça. ?O Ministro do Senhor!? - murmurou Absalão, prostrando-se.

- ABSALÃO, PONHA GENTE DE MAIS PESO NO TOPO, CASO CONTRÁRIO O EMPREENDIMENTO AFUNDARÁ. ?Puff?.

Absalão correu à cabana de Noé.

- Noé, Noé, ponha um convés no alto do mastro. Vou colocar as pessoas mais pesadas em cima.

- Mas Presidente, isto é impossível... Sempre o convés é embaixo e o mastro aponta para cima. Se aumentarmos a massa no topo, o barco vai emborcar!

- Não discuta alimentação agora comigo, Noé! O MINISTRO mandou colocar homens pesados no topo e é isto que vou fazer... e cumpra as minhas ordens!
Noé não retrucou. O Presidente estava nervoso. Talvez Job pudesse fazê-lo ver mais claro... Noé correu à Secretaria Geral, mas lá só encontrou o comandante de operação do barco, que já esperava Job havia duas horas. Com ele estavam o subcomandante nível 3, o imediato, o pré-imediato, dois assistentes e três assessores.

- Noé,- disse o Comandante - o seu projeto não anda. Como vou treinar os meus homens sem barco? Vou pedir ao Presidente para adquirir um simulador de barco, caso contrário não me responsabilizo. O DI diz que minha razão de operação está horrível, mas alocou custo só na minha área! Já reparou quantas pessoas de apoio tem o Departamento de Apoio? Noé balançou a cabeça e retirou-se vagarosamente. Realmente o que ele conseguira? Uma meia dúzia de desenhos, alguns em folha de bananeira. E isto em 80 dias. Ele havia prometido ao Presidente que faria o barco em 120 dias. Estava acabrunhado e sentia-se um incompetente. Mas, o que estaria errado?
O Presidente entrou furioso, desabafando em Job.
- Veja só! Faltam apenas 40 dias e a Divisão de Importação diz que há crise de transporte e a madeira só chegará no prazo médio de 10 dias! O pessoal do PO, mais o de O&M , junto com o CHD, todos já fizeram de tudo para diminuir o caminho crítico de um tal de PERTO, mas estou vendo tudo longe!

- Quero uma reunião de emergência com os diretores. Vou despedir o Setor de Carpintaria e contratar outro. Se não fosse o Roboão com a equipe de recrutamento, não sei o que seria.

- Mas Presidente, faltam 40 dias para que?

- Para o Dilúvio, meu filho, para o Dilúvio! Envia o seguinte telex:

De: Absalão Presidente (AP),
Para: Senhor Criador (SC).

SOLICITO PRORROGAÇÃO PRAZO RESTANTE 40 DIAS. DIFICULDADES INTRANSPONÍVEIS CRISE INTERNACIONAL DE MADEIRA. PROSTRAÇÕES. ABSALÃO.
O ruído monótono da impressora deixava Absalão ansioso; mas a resposta veio finalmente:

CONCEDIDO PRAZO MAIS CINCO DIAS IMPRORROGÁVEIS. ELEVAÇÃO DAS ÁGUAS EM ANDAMENTO.

Absalão desesperou-se e partiu para a reunião. Job, pelo telefone interno, iniciou a telefofoca do Dilúvio.

Octogésimo segundo dia.

Gau adentra o gabinete do Presidente:

- Chefe, tenho aqui um relatório de que há um desvio de cipós de amarração no almoxarifado. A listagem do Computador não bate com a Auditoria...

- Que inferno, Gau! Coloque sua equipe em campo. Jacob está fora de suspeita por ser meu antigo companheiro de batalha. Verifique o pessoal da carpintaria. Mande um memorando ao Roboão para aumentar a equipe de Segurança.

- Job, ponha o Roboão na linha...

- Roboão, aqui é o Presidente. Já recrutou os carpinteiros?

- Infelizmente não passam nos testes psicotécnicos, meu Chefe. Já até afrouxamos essas provas, mas o exame de reconhecimento de tipos genéticos de cupim reprova todo mundo. É por isso que a madeira de estoque está bichada, conforme relatório do Departamento de Material.

- Presidente, - interrompeu Job - é urgente: Há dois pastores na ante-sala, dizendo que há crise de leite nas cabras e não está havendo distribuição aos funcionários já há uma semana. O suprimento parece que não providenciou capim no secado pasto... Qual a sua decisão?

Centésimo dia. Reunião da Diretoria.

- Senhor Presidente, falou o DI, dentro de uma semana vencem nossos empréstimos internacionais com os povoados vizinhos e o caixa não é suficiente. Nosso EMPREENDIMENTO economicamente vai muito bem, mas financeiramente estamos na beira de uma crise de insolvência de caixa. Sugiro uma redução de pessoal!

- Toda vez que se fala em reduções, todos olham para mim - explodiu o Comandante de Operações.

- Sem meus homens não há operação do barco, que nem sair do porto pode. E meu simulador ainda não foi aprovado!

- Senhor Presidente, - timidamente tentou o DB: Acho que o Comandante tem razão... Mas, não prometeram ao MINISTRO que o barco estaria pronto em breve?

- Mas... sem material, como posso fabricar madeira? - gritou o DC.
"Meu Laboratório não acha madeira local e há crise de transporte! Os carpinteiros são incompetentes... E este tal de Noé? Que fez ele até agora? E ganha 10 dinheiros..."

- Senhores! falou gravemente o Presidente. Todos olharam esperançosos.

- A situação do EMPREENDIMENTO é razoável, mas temos que tomar uma atitude mais séria quanto ao projeto do barco...

- Presidente, não quero interrompê-lo, mas em nossos arquivos não constam os exames de admissão de Noé e nem sabemos se ele é mesmo Engenheiro Naval...

- Sim... Mas, a culpa é minha - falou o Presidente.

- Contudo, quando contratei Noé, ainda não existiam as Normas do EMPREENDIMENTO. Tudo era muito improvisado naqueles dias.

- Senhor Presidente, a culpa não pode ser somente de V. Excia. - acrescentou o DI.

- Esse Noé é um oportunista sem escrúpulos, querendo fazer-se passar por Engenheiro Naval, sem ter freqüentado nenhum curso regular...

- Ele é um bom homem, concedeu o Presidente.

- Mas está desviado da função, Senhor Presidente, re-argüiu o Comandante de Operações.

- Não podemos permitir que o mau exemplo prolifere! Que vou dizer ao meu pessoal? Como vou manter o moral da equipe, permitindo que eles pilotem um barco construído por um arrivista qualquer, que nem Engenheiro é? - acrescentou o Comandante.

- Não há outra solução, Senhor Presidente...
Todos se entreolharam. Alguns começaram a rabiscar flechas nos blocos de anotações. Absalão mantinha-se calado. Por fim, decidiu:

- Noé está despedido! E virando-se para Roboão:

- Providencie a anotação em sua Carteira de Trabalho...

- Mas Chefe, nem carteira ele tem...

- É isso! Um desorganizado total! Cada vez mais me convenço do erro de tê-lo convidado! Notifique-o então que ele está sendo despedido. No interesse do EMPREENDIMENTO...

Noé realmente ficou furioso com a notificação. Mas exigiu a fração do décimo-terceiro salário que lhe cabia. Estava disposto a sair daquela terra e o caminho mais fácil era pelo rio. Partiu para a floresta e reuniu 5 companheiros.

- Amigos, vamos cortar essas árvores bichadas mesmo, construir um barco e sair daqui!

- Mas Noé, nem somos carpinteiros e nem sabemos fazer barcos...

- Não importa. Ensinarei a cortar a madeira e já tenho os desenhos. Formaremos uma equipe motivada com objetivo de construir um barco para uma vida melhor em outras terras. Levaremos uns bichos a bordo para comer na viagem. Só falta meter mãos à obra. Em poucos dias, o casco do barco já tomava forma.

Centésimo-vigésimo-quinto dia.

O Presidente acordou preocupado. A madeira tinha chegado, mas só havia 3 carpinteiros no Setor de Carpintaria. Sua charrete tomou o caminho mais rápido para o escritório, para evitar o mau tempo. Nuvens pesadas cobriam os céus. Absalão foi direto ao telex, mas Job só chegava às 10 horas. Absalão correu ao CPD.

- O que há aqui, não começou o expediente? Quem é Você?

- Sou uma perfuradora, Senhor. Há dias não há ninguém. Dizem que pelo Plano de Classificação de Cargos e Salários e pela Política de Promoções, não fica ninguém...
Absalão voltou ao escritório. No caminho encontrou com Gau, que lhe disse preocupado haver um zum-zum acerca de um tal de Plúvio que poderia ser um terrorista, mas que sua equipe... Absalão ficou branco e correu ao telex.

- Job, rápido!

De: Absalão Presidente (AP),
Para: Senhor Criador (SC):

DIFICULDADES INSUPERÁVEIS COM O PROJETISTA ATRASARAM EMPREENDIMENTO. SOLICITO PRORROGAÇÃO PRAZO. A resposta foi imediata:
DO: Senhor,
Para: Absalão:
PRORROGAÇÃO NEGADA

E começou a chover... Absalão correu para fora, seguido de Jacob.
- Chefe, há um barco descendo o rio. Veja na proa... está escrito...
está ..."
ARCA DE NOÉ

ViaOral [+] :: Se medicaram:
...
sexta-feira, novembro 04, 2005

Gente,

A despeito de toda essa história sobre febre maculosa, a doença da vez, andei pesquisando mais a fundo a coisa, até porque trabakho muito próximo do último foco registrado no Rio de Janeiro, em Itaipava.
Fui apresentado a essa doença já há algum tempo, quando tomei conhecimento de um caso ocorrido em Campos/RJ e não divulgado pela grande mídia. Como tenho propriedade rural em Minas e faço obra em casa-de-campo, vem daí a minha preocupação.

Então, a quem interessar, vai aí um resumo fácil e claro do que seja mais essa praga.


FEBRE MACULOSA

Márcio Antônio Moreira Galvão Departamento de Nutrição Clínica e Social Escola de Nutrição - Universidade Federal de Ouro Preto

RESUMO
O autor faz um breve histórico sobre a febre maculosa, contextualizando-a dentro do cenário do desenvolvimento científico, para a seguir apresentar uma discussão sobre conceito, etiologia, epidemiologia, patogenia, diagnóstico clínico e laboratorial, tratamento e profilaxia da doença.
Palavras-chave: febre maculosa; rickettsioses, clinica, epidemiologia.
ABSTRACT The author first does a brief historic description about spotted fever, placing in context this disease in the scientific scenery. This will be followed by a discussion about the definition of spotted fever etiology, epidemiology, pathological data, clinical and laboratory diagnosis, treatment and prevention.
Keywords: spotted fever; rickettsial diseases, clinic, epidemiology.

HISTÓRICO
De todas as doenças que afligiram o homem, as doenças rickettsiais, particularmente no Brasil a febre maculosa, se situam entre aquelas doenças que mais causaram sofrimento e morte, inclusive para vários pesquisadores pioneiros no diagnóstico e pesquisa sobre as mesmas. Em Minas Gerais, Belo Horizonte, a morte de um conhecido personagem da história da cidade, o Padre Eustáquio, é atribuída a essa doença. Historicamente em 1899, Maxcy descreve nos EUA as manifestações clínicas da febre das montanhas rochosas. No período de 1906 a 1909, Ricketts conseguiu sucesso na transmissão dessa doença para porquinhos da índia, incriminou o carrapato como vetor, e observou rickettsias em espaços preparados a partir de tecidos de carrapatos [14]. Em 1929, em São Paulo, José Toledo Pisa iniciou a distinção da febre maculosa das demais doenças exantemáticas no Brasil, inclusive chegando a demonstrar sua semelhança com a entidade nosológica descrita pelos americanos como Rocky Mountain Spotted Fever [12]. Os anos da 2ª guerra mundial nos trouxeram como legado avanços importantes no controle das rickettsioses, como o uso de inseticidas no ataque aos artrópodes vetores. O advento dos antibióticos, na década de 40, trouxe resultados surpreendentes no tratamento das rickettsioses, sendo que o uso indiscriminado dos antibióticos contribuiu para dificultar o seu diagnóstico por mascarar o aparecimento do exantema máculo-papular, principal sinal da doença [4]. Em 1952, o professor Octávio de Magalhães, notório cientista mineiro que estudou durante muitos anos a febre maculosa em nosso Estado, publica extenso trabalho sobre o comportamento da febre maculosa em Minas Gerais no período de 1929 a 1944 [12]. Após essa publicação, nenhum trabalho foi publicado em Minas Gerais ou mesmo fora do Estado sobre a febre maculosa de Minas, o que só veio a ocorrer em 1983, com Galvão e colaboradores, quando foi descrita uma epidemia pela doença no município de Grão Mogol, Vale do Jequitinhonha [10].

CONCEITO, ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA
A febre maculosa é uma doença causada por uma bactéria chamada Rickettsia rickettsii, um microorganismo gram-negativo intracelular obrigatório. Várias espécies do gênero Rickettsia causam doenças no homem e em outros hospedeiros vertebrados e invertebrados e possuem uma larga distribuição no mundo. Nos Estados Unidos da América, a febre das montanhas rochosas, também causada pela Rickettsia rickettsii, constitui o equivalente da febre maculosa brasileira. Octávio de Magalhães, referindo-se à febre maculosa na década de 30, a designava de "tifo exantemático neotrópico" em alusão ao tifo epidêmico de origem fora dos trópicos [12]. Pelo que se conhece até o momento em nosso país, a febre maculosa, a mais comum e mais letal das rickettsioses existentes, é transmitida ao homem por carrapatos da espécie Amblyomma cajennense, carrapato encontrado com freqüência no boi e no cavalo, porém com pouca especificidade parasitária, especialmente nas fases de larva e ninfa. Os carrapatos infectam-se ao sugarem animais silvestres. No entanto, a doença não depende desses animais para sua manutenção, pois ocorre transmissão transovariana entre os carrapatos. Os carrapatos, portanto, além de transmissores, são também reservatórios [6]. O fato de o maior número de casos em Minas Gerais e no Brasil ocorrer no segundo semestre, com pico em outubro, parece ter relação com o ciclo evolutivo dos carrapatos, já que as formas infectantes (ninfa e adulto) ocorrem predominantemente no segundo semestre [6]. Em algumas regiões, a febre maculosa ocorre esporadicamente quando o homem, seja trabalhando ou em atividades de lazer (pescarias, acampamentos, etc.), se aprofunda em matas onde ocorre o ciclo silvestre, foco natural da doença [3]. Octávio de Magalhães [12] levanta a hipótese de transmissão peridomiciliar, em que o cão poderia desempenhar papel importante, trazendo para o domicílio carrapatos contaminados, o que é mais provável, ou mesmo se infectando em áreas de foco e passando a atuar como reservatório domiciliar, o que é discutível. Em Minas Gerais, tem sido comum a ocorrência de casos isolados em áreas há muito já colonizadas, independente de contato com a mata e/ou foco natural da doença, além da forma epidêmica com elevado número de casos e óbitos. Essa ocorrência, sob a forma de epidemia, pode ser verificada, em 1981, em Grão Mogol, Vale do Jequitinhonha; em 1984 no Vale do Mucuri, nos municípios de Ouro Verde de Minas e Bertópolis [5,9]; em 1989, em Virginópolis - Vale do Rio Doce [17]; em 1992, na periferia de Caratinga [4]. Fora essa forma epidêmica, os casos isolados ou de ocorrência com pequeno número, mas de alta letalidade, têm ocorrido em todo o Estado, com exceção do sul de Minas e Triângulo Mineiro, com predominância nos Vales do Mucuri, Jequitinhonha e Rio Doce e na periferia de grandes cidades como Juiz de Fora em passado recente [4] e, em Belo Horizonte, em 1997. No Brasil, além da ocorrência da febre maculosa em Minas Gerais, temos o relato de casos nos Estados do Rio de Janeiro [11], São Paulo [1,15], Espírito Santo [16] e Bahia [13], porém apenas Minas Gerais detém uma vigilância da doença, o que nos permite conhecer alguns dados importantes como uma incidência da ordem de 0,35 casos por 100.000 habitantes no período de 1990 a 1994 [8], para uma incidência anual relatada variável de 0,24 a 0,32 casos por 100.000 habitantes nos EUA no período de 1985 a 1990 [18]; uma incidência maior no sexo masculino, na faixa etária de 5 a 14 anos, no mês de outubro, e uma letalidade (óbitos entre os casos ocorridos) de 10%, esses últimos dados todos referentes ao período de 1981 a 1994 [8].

PATOLOGIA
Todas as rickettsias são consideradas bactérias pequenas, parasitas intracelulares obrigatórias na espécie humana. Diferem dos vírus por serem células procarióticas que se dividem por fissão binária. Também possuem DNA e RNA, bem como paredes bem desenvolvidas, gram-negativas, sistemas enzimáticos próprios e ligações de fosfato [7]. As células endoteliais e reticuloendoteliais de uma grande variedade de espécies animais, incluindo artrópodes, aves e mamíferos, oferecem condições viáveis para a replicação das rickettsias [7]. As rickettsias, quando no meio extracelular, podem produzir lise celular. Para sobreviverem, as rickettsias replicam-se indefinidamente em alguns hospedeiros: todas as rickettsioses são zoonoses com hospedeiro artrópode e/ou vertebrado. A propagação transovariana do micróbio no vetor é o mecanismo perpetuador das rickettsias em artropodes (R. rickettsii). Na doença causada por essa bactéria - febre maculosa - o hospedeiro vertebrado pode causar ampla disseminação do processo por causa de sua mobilidade [7]. As lesões vasculares disseminadas constituem a base fisiopatológica do quadro clínico: edema, aumento do volume extracelular com conseqüentes hipotensão, necrose local, gangrena e distúrbios da coagulação (coagulação intravascular disseminada). Ocorrem infartos vasculares, com subseqüente isquemia, no cérebro, principalmente no mesencéfalo e nas regiões dos núcleos, e, menos freqüentemente, no coração. No fígado, pode haver lesão perivascular nos espaços-porta, com degeneração gordurosa dos hepatócitos. As alterações renais consistem de lesões vasculares intersticiais focais, acometendo poucos néfrons [7].

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
O período de incubação varia de 2 a 14 dias. A doença inicia-se bruscamente com febre alta, cefaléia e mialgia intensa. Entre o segundo e o sexto, dia surgem as manifestações cutâneas. É comum a presença de edema nos membros inferiores e oligúria nos casos mais graves. Hepatoesplenomegalia pouco acentuada pode ser observada [6]. Se não tratado, o paciente evolui para um estágio torporoso, de confusão mental, com freqüentes alterações psicomotoras, chegando ao coma profundo. Icterícia leve e convulsões podem ocorrer em fase terminal [6]. A letalidade dessa forma da doença, quando não tratada, pode chegar a 80%. No entanto, alguns autores chamam a atenção para formas oligossintomáticas ou frustas ,que não chegam, assim, a ser diagnosticadas [6]. Em geral, no quarto dia da doença, surge o exantema maculopapuloso, predominando nos membros e não poupando as palmas das mãos e as plantas dos pés. Com a evolução da doença, nos casos graves o exantema vai transformando-se em hemorrágico, constituído principalmente por equimoses. No paciente não tratado, as equimoses tendem à confluência, podendo evoluir para necrose, principalmente nos lóbulos das orelhas e no escroto. No exantema da febre maculosa, ocorre descamação em geral no final da segunda semana. Em pacientes de pele escura, o exantema pode ser de difícil visualização. O uso de antibióticos também pode interferir na evolução do exantema [6]. Essas manifestações são o resultado da reprodução do agente nas células endoteliais dos pequenos vasos sangüíneos. A multiplicação das rickettsias causa edema, hemorragia, trombose e necrose. Há também infiltrado celular perivascular. Vasculites ocorrem também em outros órgãos, como no sistema nervoso central, coração, músculos, rins, etc. [6].

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
A reação de Weil-Félix é arcaica e não específica, porque se utiliza de antígenos não rickettsiais. Uma segunda e terceira geração de testes sorológicos incluem as reações de imunofluorescência indireta; Western-blot e enzimoimunoensaio (Elisa), respectivamente [2]. Esses testes são bastante sensíveis e específicos e podem detectar todas as classes de anticorpos, estando disponível, em Minas Gerais, a reação de imunofluorescência indireta na rotina do Instituto Octávio de Magalhães da Fundação Ezequiel Dias, laboratório esse referencia da Organização Mundial de Saúde para diagnóstico da febre maculosa e outras doenças rickettsiais.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
O diagnóstico diferencial da febre maculosa faz-se inicialmente com outras rickettsioses, em especial o tifo murino, transmitido pela pulga do rato e com a ehrlichiose humana, uma rickettsiose de cão ainda não diagnosticada no Brasil em humanos. Em nosso meio (principalmente no nordeste de Minas Gerais), tem sido comum confundir febre maculosa com meningococcemia, fato também descrito por autores norte-americanos. Na meningococcemia, não é habitual a história de febre e malestar antecedendo ao exantema em mais de 24 horas. Na ocorrência de epidemias, o aumento de incidência de meningococcemia, em geral, é concomitante com o aumento das formas meníngeas da doença [6]. A febre maculosa deve ainda ser diferenciada do sarampo, da febre tifóide, da dengue e da mononucleose infecciosa.

TRATAMENTO
No caso da febre maculosa, a letalidade da doença diminui de forma espetacular quando o tratamento é introduzido em tempo hábil. Os casos graves devem ser hospitalizados; sobrevivendo às primeiras 48 horas de tratamento, é rara a evolução para o óbito ou o desenvolvimento de seqüelas. Aqueles casos mais brandos ou de diagnóstico muito precoce podem ser tratados em ambulatório, com controle médico diário[6]. O agente etiológico da febre maculosa é sensível às tetraciclinas, ao cloranfenicol e à rifampicina. Embora estudos nos EUA tenham mostrado que a tetraciclina é um pouco superior ao cloranfenicol no tratamento da febre maculosa, nossa experiência é com o cloranfenicol, por não estar disponível, no Brasil no momento, apresentação injetável de tetraciclina [6], por ser esse tipo de apresentação fundamental nos casos graves.

PROFILAXIA
A melhor forma de controle da febre maculosa no momento é uma boa vigilância epidemiológica por parte dos serviços de saúde e uma vigilância social por parte da população, a fim de que seja feito o diagnóstico precoce, com tratamento imediato da doença. A melhoria das condições de vida e de saúde de populações sujeitas à doença e/ou episódios epidêmicos coloca-se como primordial [6]. As vacinas, conhecidas até o momento no caso da febre maculosa são de baixa eficácia, além de não promover imunidade duradoura [6]. O uso de inseticidas no extermínio de carrapatos, tanto no plano de indivíduos (animais e no homem), quanto na natureza, deve ser visto e executado com muito cuidado. Algumas medidas, como rodízio de pastos e capina da vegetação, podem trazer resultados no controle da população de carrapatos. Em nível individual, seria recomendável a remoção de carrapatos o mais rápido possível após a infestação, já que, no caso da febre maculosa, a doença parece ocorrer com maior freqüência em indivíduos que permanecem com o vetor no corpo por um período de tempo maior, tendo Octávio de Magalhães sugerido ser esse tempo de 36 horas em média [12].

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] BRANCHINI M. L .M. et alii. Relato de um foco endêmico de riquetsiose. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA TROPICAL, 24, 1988, Manaus. Anais... Manaus: Instituto de Medicina Tropical, 1988. (Resumo) [2] DUMLER S.J., WALKER D.H. Diagnostic tests for rock mountain spotted fever and other rickettsial diseases. Dermatologic Clinics, v. 12, n. 1, p. 25-36, jan. 1994. [3] GALVÃO M. A. M. A febre maculosa brasileira em Minas Gerais e seus determinantes. Rio de Janeiro: ENSP/Fundação Oswaldo Cruz, 1988. 163 p. (Dissertação de Mestrado em Saúde Pública). [4] GALVÃO, M. A. M. Febre maculosa em Minas Gerais: Um estudo sobre a distribuição da doença no Estado e seu comportamento em área de foco peri-urbano. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina da UFMG, 1996. 114 p. (Tese de Doutorado em Medicina Tropical) [5] GALVÃO M. A. M., RIBEIRO J. G. L. Descrição clínica de três casos com comprovação sorológica de febre maculosa. Revista Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 4, n. 1, p. 48-49, jan./mar. 1994. [6] GALVÃO. M. A. M. Febre maculosa. In: PEDROSO E.R.P., ROCHA M.O.C., SILVA O.A. Clínica Médica: os princípios da prática ambulatorial. São Paulo: Atheneu, 1993. p. 1374-1388. [7] GALVÃO M. A. M. , RIBEIRO J. G. L., PINTO J. M. Tifo exantemático, tifo murino e febre maculosa brasileira. In: PINTO J.M. Doenças infecciosas com manifestações dermatológicas. Rio de Janeiro: MEDSI, 1994. P. 207-215. 74 p. [8] GALVÃO, M. A. M. Report of cases of spotted fever disease in Minas Gerais State - Brazil, 1981-1994. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON RICKETTSIAE AND RICKETTSIA DISEASES, 5, Bratislava-Slovak Republic, 1996. Proceedings... Bratislava: Slovak Academy of Sciences, 1996. p. 211-215. [9] GALVÃO, M. A. M. Manual de febre maculosa. Belo Horizonte: SES/MG, 1989. (Informe Técnico) [10] GALVÃO, M. A. M. Relato de investigação epidemiológica de um provável surto de ricketsiose em Grão Mogol - Minas Gerais. Cadernos do Internato Rural, Belo Horizonte, v. 2, n. 12. p. 61-79, jan./jun., 1983. [11] GONÇALVES A. J. et alii. Rickettsioses: a propósito de quatro casos diagnosticados no Rio de Janeiro de Febre Maculosa Brasileira. Folha Médica, Rio de Janeiro, v. 82, n. 2, p. 127-134, 1981. [12] MAGALHÃES O. Contribuição ao conhecimento das doenças do grupo exantemático. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1952. [13] MANCINI D. A. P. A ocorrência de riquetsioses do grupo Rickettsia rickettsii. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 17, p. 493-499, 1983. [14] McDADE J. E., NEWHOUSE V. F. Natural history of Rickettsia rickettsii. Annual Review of Microbiology, Palo Alto, n. 40, p. 287-309, 1986. [15] MELLES H. H., COLOMBO S., SILVA M. V. Spotted fever: isolation of Rickettsia from a skin biopsy sample. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, São Paulo, v. 34, n. 1, p. 37-41, jan./fev. 1992. [16] SEXTON D. J. Brazilian spotted fever in Espírito Santo Brazil: description of a focus infection in a new endemic region. American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, Northbrook, v. 49, n. 2, p. 222-226, 1993. [17] SOUZA M. A. A et alii. Febre Maculosa brasileira em Virginópolis - Minas Gerais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE INFECTOLOGIA, 6, 1991. Salvador. Anais... Salvador: s. n. 1991. 60 p. (Resumo) [18] WHITE D. J., FLYNN M. K. Rock mountain spotted fever in New York State. Annals of the New York Academy of Sciences. New York, v. 590, 26 june 1990. p. 248-255.


É isso aí.

Thimóteo (utilitário público) Rosas

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segunda-feira, outubro 17, 2005

Porque a gente somos inútil?

No momento em que se discutem direitos do cidadão, mercado externo, exportação, desenvolvimento, ética, enfim, em mais um momento crítico da política e da Nação brasileira, lembro de um discurso antigo e que muitos devem conhecer, proferido por um professor universitário da cadeira de eletrônica, Engº Weber Figueiredo, convidado para paraninfo de uma das turmas de engenharia da UERJ, que se formava em agosto de 2002.
Mesmo àqueles que já conhecem o discurso, convido-os a uma re-leitura. Afinal, somos todos esquecidos, nem tanto pelo descaso com as coisas do Brasil, mas, creio, pela quantidade infinda de más novas diárias que nos abarrotam a mente, já tão perturbada com a lida pela sobrevivência.
Aos eternos esperançosos, que vivem me enviando mensagens otimistas, nos comparando com algumas nações "horríveis" do primeiro mundo, convido-os a uma rápida reflexão, após lerem o texto abaixo.

"Ilustríssimos Colegas da Mesa, Senhor Presidente, meus queridos Alunos, Senhoras e Senhores.
Para mim é um privilégio ter sido escolhido paraninfo desta turma. Esta é como se fôra a última aula do curso. O último encontro, que já deixa saudades. Um momento festivo, mas também de reflexão. Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma de direito, talvez eu falasse da importância do advogado que defende a justiça e não apenas o réu. Se eu fosse escolhido paraninfo de uma turma de medicina, talvez eu falasse da importância do médico que coloca o amor ao próximo acima dos seus lucros profissionais. Mas, como sou paraninfo de uma turma de engenheiros, vou falar da importância do engenheiro para o desenvolvimento do Brasil. Para começar, vamos falar de bananas e do doce de banana, que eu vou chamar de bananada especial, inventada (ou projetada) pela nossa vovozinha lá em casa, depois que várias receitas prontas não deram certo.
É isso mesmo. Para entendermos a importância do engenheiro vamos falar de bananas, bananadas e vovó. A banana é um recurso natural, que não sofreu nenhuma transformação. A bananada é = a banana + outros ingredientes + a energia térmica fornecida pelo fogão + o trabalho da vovó e + o conhecimento, ou tecnologia da vovó.A bananada é um produto pronto, que eu vou chamar de riqueza. E a vovó? Bem a vovó é a dona do conhecimento, uma espécie de engenheira da culinária. Agora, vamos supor que a banana e a bananada sejam vendidas. Um quilo de banana custa um real. Já um quilo da bananada custa cinco reais. Por que essa diferença de preços? Porque quando nós colhemos um cacho de bananas na bananeira, criamos apenas um emprego: o de colhedor de bananas. Agora, quando a vovó, ou a indústria, faz a bananada, ela cria empregos na indústria do açúcar, da cana-de-açúcar, do gás de cozinha, na indústria defogões, de panelas, de colheres e até na de embalagens, porque tudo isto é necessário para se fabricar a bananada. Resumindo, 1 kg de bananada é mais caro do que 1 kg de banana porque a bananada é igual banana mais tecnologia agregada, e a sua fabricação criou mais empregos do que simplesmente colher o cacho de bananas da bananeira. Agora vamos falar de outro exemplo que acontece no dia-a-dia no comércio mundial de mercadorias. Em média: 1 kg de soja custa US$ 0,10 (dez centavos de dólar), 1 kg de automóvel custa US$ 10, isto é, 100 vezes mais, 1 kg de aparelho eletrônico custa US$ 100, 1 kg de avião custa US$ 1.000 (10 mil quilos de soja) e 1 kg de satélite custa US$ 50.000. Vejam, quanto mais tecnologia agregada tem um produto, maior é o seu preço, mais empregos foram gerados na sua fabricação. Os países ricos sabem disso muito bem. Eles investem na pesquisa científica e tecnológica. Por exemplo: eles nos vendem uma placa de computador que pesa 100g por US$ 250. Para pagarmos esta plaquinha eletrônica, o Brasil precisa exportar 20 toneladas de minério de ferro. A fabricação de placas de computador criou milhares de bons empregos lá no estrangeiro, enquanto que a extração do minério de ferro, cria pouquíssimos e péssimos empregos aqui no Brasil. O Japão é pobre em recursos naturais, mas é um país rico. O Brasil é rico em energia e recursos naturais, mas é um país pobre. Os países ricos, são ricos materialmente porque eles produzem riquezas. Riqueza vem de rico. Pobreza vem de pobre. País pobre é aquele que não consegue produzir riquezas para o seu povo. Se conseguisse, não seria pobre, seria país rico. Gostaria de deixar bem claro três coisas:
1º) quando me refiro à palavra riqueza, não estou me referindo a jóias nem a supérfluos. Estou me referindo àqueles bens necessários para que o ser humano viva com um mínimo de dignidade e conforto;
2º) não estou defendendo o consumismo materialista como uma forma de vida, muito pelo contrário; e,
3º) acho abominável aqueles que colocam os valores das riquezas materiais acima dos valores da riqueza interior do ser humano.
Existem nações que são ricas, mas que agem de forma extremamente pobre edesumana em relação a outros povos. Creio que agora posso falar do ponto principal. Para que o nosso Brasil torne-se um País rico, com o seu povo vivendo com dignidade, temos que produzir mais riquezas. Para tal, precisamos de conhecimento, ou tecnologia, já que temos abundância de recursos naturais e energia. E quem desenvolve tecnologias são os cientistas e os engenheiros, como estes jovens que estão se formando hoje. Infelizmente, o Brasil é muito dependente da tecnologia externa. Quando fabricamos bens com alta tecnologia, fazemos apenas a parte final da produção. Por exemplo: o Brasil produz 5 milhões de televisores por ano e nenhum brasileiro projeta televisor. O miolo da TV, do telefone celular e de todos os aparelhos eletrônicos, é todo importado. Somos meros montadores de kits eletrônicos. Casos semelhantes também acontecem na indústria mecânica, de remédios e, incrível, até na de alimentos. O Brasil entra com a mão-de-obra barata e os recursos naturais. Os projetos, a tecnologia, o chamado pulo do gato, ficam no estrangeiro, com os verdadeiros donos do negócio. Resta ao Brasillidar com as chamadas "caixas pretas". É importante compreendermos que os donos dos projetos tecnológicos são os donos das decisões econômicas, são os donos do "dinheiro", são os donos das riquezas do mundo. Assim como as águas dos rios correm para o mar, as riquezas do mundo correm em direção a países detentores das tecnologias avançadas. A dependência científica e tecnológica acarretou para nós brasileiros a dependência econômica, política e cultural. Não podemos admitir acontinuação da situação esdrúxula, onde 70% do PIB brasileiro é controlado por não residentes. Ninguém pode progredir entregando o seu talão de cheques e a chave de sua casa para o vizinho fazer o que bem entender. Eu tenho a convicção que desenvolvimento científico e tecnológico aqui no Brasil garantirá aos brasileiros a soberania das decisões econômicas, políticas e culturais. Garantirá trocas mais justas no comércio exterior. Garantirá a criação de mais e melhores empregos. E, se toda a produção de riquezas for bem distribuída, teremos a erradicação dos graves problemassociais.O curso de engenharia da UERJ, com todas as suas possíveis deficiências, visa a formar engenheiros capazes de desenvolver tecnologias. É o chamado engenheiro de concepção, ou engenheiro de projetos. Infelizmente, o mercado desnacionalizado nem sempre aproveita todo este potencial científico dos nossos engenheiros. Nós, professores, não podemos nos curvar às deformações do mercado. Temos que continuar formando engenheiros com conhecimentos iguais aos melhores do mundo. Eu posso garantir a todos os presentes, principalmente aos pais, que qualquer um destes formandos é tão ou mais inteligente do que qualquer engenheiro americano, japonês ou alemão. Os meus trinta anos de magistério, lecionando desde o antigo ginásio até a universidade, me dão autoridade para afirmar que o brasileiro não é inferior a ninguém; pelo contrário, dizem até que somos muito mais criativos do que os habitantes do chamado primeiro mundo. O que me revolta, como professor e cidadão, é ver que as decisões políticas tomadas por pessoas despreparadas ou corruptas são responsáveis pela queima e destruição de inteligências brasileiras que poderiam, com o conhecimento apropriado, transformar o nosso Brasil num país florescente, próspero e socialmente justo. Acredito que o mundo ideal seja aquele totalmente globalizado, mas uma globalização que inclua a democratização das decisões e a distribuição justa do trabalho e das riquezas. Infelizmente, isto ainda está longe de acontecer, até por limitações físicas da própria natureza. Assim, quem pensa que a solução para os nossos problemas virá lá de fora, está muito enganado. O dia que um presidente da república, ao invés de ficar passeando como um dândi pelos palácios do primeiro mundo, resolver liderar um autêntico projeto de desenvolvimento nacional, certamente o Brasil vai precisar, em todas as áreas, de pessoas bem preparadas. Só assim seremos capazes de caminhar com autonomia e tomar decisões que beneficiem verdadeiramente a sociedade brasileira. Será a construção de um Brasil realmente moderno, mais justo, inserido de forma soberana na economia mundial e não como um reles fornecedor de recursos naturais e mão-de-obra aviltada.
Quando isto ocorrer, e eu espero que seja em breve, o nosso País poderá aproveitar de forma muito mais eficaz a inteligência e o preparo intelectual dos brasileiros e, em particular, de todos vocês, meus queridos alunos, porque vocês já foram testados e aprovados. Finalmente, gostaria de parabenizar a todos os pais pela contribuição positiva que deram à nossa sociedade possibilitando a formação dos seus filhos no curso de engenharia da UERJ.
A alegria dos senhores, também é a nossa alegria."

Bem, é isso. Agora, vamos todos votar, que nem cordeirinhos, nessa história mal-contada de combater violência com proibição de comercialização de armas. VIOLÊNCIA SE COMBATE COM EDUCAÇÃO, VIDA DIGNA E FORMAÇÃO CÍVICA! Como diz o mesmo professor do discurso acima, "...questões sociais, ambientais e comportamentais, dependências econômica, cultural e tecnológica, desemprego, criminalidade e baixos salários estão todas interligadas."
Você não acha muito estranho esse referendo? Eu acho.

Thimóteo (armado até os dentes) Rosas.

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quinta-feira, setembro 29, 2005

E eu, que nem ia falar do PT...

Eu não ia falar do PT. Primeiro, porque o PT é cachorro morto. E eu não gosto de bater em cachorro morto. Segundo, e principalmente, depois das crônicas mais-que-perfeitas do Mané Carlos, "cabra" bom-de-briga e que bem sabe enfrentar esse povinho da esquerda larapia. Mas, desolado, decepcionado e desesperançado com o meu Brasil de agora, fiquei por cá, pensando nas razões mais simplórias para tanta picaretagem (sem entrar em análises políticas muito profundas, até mesmo porque quanto mais se afunda, mais a coisa fede...), pensando em como um partido político que representou o sonho de milhões de patriotas, idealistas e outros tantos desejosos de um motivo que fosse para voltar a sentir algum orgulho pelas cores nacionais, pôde se enlamear tanto, se afundar tanto no visco da conduta sub-reptícia, afogando outra vez, e agora mais ainda, as réstias de alguma fé, que se achava pudéssemos ter em nossos dirigentes.

Há muitos anos atrás, não lembro bem, certo analista (acho que foi Villas-Boas Corrêa) expressou seu desejo de jamais voltar a ver um nordestino na presidência da República. Corria o (des)governo de Zé Sarney e, entre espanto e certa revolta pelo pré-concebido pensamento do ensaísta da ocasião, eu entendia que os fatos da época abonavam o ponto de vista daquele crítico. Dizia o tal cronista, que o Norte-Nordeste pautava a ação política pelo clientelismo, pelo coronelismo arcaico e pela troca de favorecimento, num lesa-pátria cínico-dissimulado, a assentar raízes longevas para a prática de perpetuação no poder. Hoje se vê, tristemente, que o exercício do poder pelo (também) desgoverno Lula, pouco ou nada difere, nas raízes, daquele seu predecessor, quer pelo sotaque carregado, quer pela distribuição de favores clientelísticos às oligarquias políticas que lhes oferecem (na verdade, vendem) sustentação.

O Brasil é um país cuja teoria não costuma dar certo na prática. A história nos comprova isso:

"A crescente desorganização e a paralização administrativa do regime, fizeram com que ele perdesse apoio dentro de suas próprias bases tradicionais de sustentação na área empresarial, militar, etc. Esta paralização se explica, em parte, pelo fracasso dos grandes projetos desenvolvimentistas. A partir de certo momento o governo deixou de ter um projeto próprio, e isto permitiu que a política passasse a ser feita em termos de preferências, simpatias e favores pessoais, o que acentuava muito a ineficiência do regime em confrontar seus problemas políticos e econômicos crescentes."

Isso aí, que poderia ser o retrato de agora, foi dito pelo humanista Simon Schwartzman em 1985, sobre as razões da decadência do governo militar no Brasil... Engraçado, né? Se eu não dissesse nada você não pensaria tratar-se de um artigo atualíssimo? Num outro trecho, ele falava:

"Dado este quadro, era natural que a oposição ao governo, expressa nas campanhas das diretas de 1984, ganhassem o apoio integral da opinião pública nacional e internacional, e que o governo dela resultante surgisse com grande sustentação nesta opinião pública. O que talvez não se esperasse era que a unanimidade fosse tão grande."

Pois é. Uma "unanimidade tão grande", somente se explica por um fenômeno claro: a esperança. É assim, desde D Pedro II e o suposto grito pela independência. O Brasil da época esperava um novo tempo, uma nação que se impusesse ao mundo pela dignidade e força de seu povo, pela pujança de suas virtudes naturais, etc., etc., etc. e blá,blá, blá... O Brasil moderno manteve e conserva a mesma e ingênua esperança. Só que elegeu, ao contrário do que previa, um cavaleiro apocalíptico, quixotesco e mambembe, que desfila seu circo de horrores pelo país afora como se isso fosse uma atração, ao contrário da tragédia real que é.

A historia é antiga: o Brasil teórico jamais deu certo na prática, repito. E não dá certo porque, na prática, o que se exercita é a locupletação e não a gestão. Se essa houvesse, por mais inepta que fosse, teríamos uma nação e não uma república paralela, onde o Estado é paterno para os que o governam, jamais para os que o viabilizam. A última ação petista, de alçar o cupincha Aldo Rebelo à presidência da Câmara, espalhando verba pra todo lado, foi simplesmente indecente, amoral e nojenta; mostra-nos como é, por dentro, uma instituição que não se dá mesmo ao mínimo respeito. O PT envergonha a política, a esquerda, seus signatártios, envergonha enfim, a Nação. O episódio Aldo Rebelo tem a cara do partido: depois que se fez a lambança, limpou-se a fonte com jornal velho. E parece que só o PT é que não sabe o que qualquer morador de rua já descobriu há tempos: que jornal não limpa bunda; JORNAL SÓ ESPALHA, SR. LULA; E ESPALHA MESMO...

Eu não ia falar do PT. Mas esse cachorro morto fede tanto, que é melhor chutá-lo pra bem longe.

Thimóteo (radicalmente contra o referendo) Rosas

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domingo, setembro 18, 2005

Você não quer que eu volte...

Taí, o porquê de a gente estar nessa situação:
No Brasil, 59% da população não sabe o significado da palavra democracia. Além disso, 4% não souberam responder à pesquisa promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Outros 54% apoiariam um governo autoritário se isso resolvesse os problemas econômicos. 56% da população do país acha que o desenvolvimento econômico é mais importante que a democracia. Os brasileiros também se mostram divididos quanto ao retorno de um regime autoritário, embora 42% dos entrevistados sejam contrários.

fonte: Infoco(CREA/RJ) - Agência Nordeste

Tô pensando se volto... (Tô deprê. Humpft).

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segunda-feira, julho 04, 2005

Mais negros na minha vida.

Tenho sentido falta dos negros em minha vida. Não tenho mais um amigo negro, e os negros que admiro, apenas os vejo na mídia. Milton, Naná, Paulinho, Ruth de Souza, Milton - o Gonçalves, Zezé Mota, etc, etc, etc... Mas esses não valem.

Hoje encontrei o Neco, ex-marido da Maria, ex-empregada da minha ex-família, quase extinta em sua configuração original. Neco foi meu precioso auxiliar, no desvendar dos mistérios sexuais da empregada do vizinho. Isso, quando eu nem sabia que empregada de vizinho era, para um "eu" adolescente, a salvação das espinhas da cara. Velho amigo, aproximamo-nos mesmo quando meu pai levou o casal para São Paulo, em nosso retorno de Recife para o sul, isso lá pelos duros anos de 1970. Está velho, o Neco. Até parece que só quem envelhece são os outros, 35 anos depois... Mas, faltam-lhe os dentes, saúde, esperança afinal. O tempo foi o mesmo para ambos; a vida, definitivamente não.

Fico pensando em Morro Velho, a música de Milton Nascimento que fala da amizade de infância entre o menino branco, filho do patrão, e o negrinho empregado da fazenda. Nós somos eles, como os são outros tantos, que a história não consegue mudar e nem tampouco conseguimos, nós, mudar a história. Os negros pobres são sempre miseráveis, esquecidos. E não é por preconceito, isso não. É por descaso. Nós não temos preconceito de cor, já provamos isso. Este, nós substituímos por um outro, que atinge uma parcela muito maior desse país: o preconceito social. Não importa se o sujeito é preto ou branco. O que importa é se tem ou não dinheiro, ponte para a projeção social, que é, no fim de tudo, a carona que nos interessa. Quanto mais dinheiro, melhor; quanto mais dinheiro tiver, mais prestigiado, querido, bonito e educado será o gajo. O dinheiro nos faz realmente lindos.

E aí, é uma grande pena que pessoas tão interessantes quanto aquelas, que por força de suas próprias necessidades de sobrevivência mais valorizam as relações de amizade e parceria que outras de interesse, estejam tão distantes de nossas vidas. E nós, delas. Não temos mais os jardineiros, nem os entregadores de pão; nossas velhas empregadas não dormem mais em nossas casas, não mais fazem parte de nossa família. Até a lembrança do barulhento vira-lata, agora substituído por um peludo Poodle, atesta o distanciamento de uma sociedade que valorizava o que tinha, antes de cultuar o que desejava.

Nosso desejo de evidência, evidencia a forma como fomos levados a aumentar nossa miséria social: pelo descaso, pelo desprezo ao conteúdo, pela valorização excessiva da forma e do aspecto mais agradável de ensaiar a vida. Tolices. Inúteis e perigosas tolices. Nós, que esquecemos e desprezamos nossos negros e parceiros de ontem na caminhada mais singela da vida, estamos sendo esquecidos e desprezados por eles agora. Desvalorizamos a vida muito antes; e agora imploramos a eles, pobres, mizerentos, desesperançados e esquecidos, que não nos matem, que não nos violentem, que não droguem e não estuprem nossos filhos; lhes rogamos que não desfaçam, enfim, o que levamos anos para criar: uma sociedade baseada na exploração, no preconceito, no desrespeito e na vaidade, tudo às custas de um desumano abandono daqueles que, outrora, foram nossos companheiros de folguedos, brincadeiras, sonhos e esperanças de infância.

Nota: Ao me despedir do Neco, peguei um dinheiro na carteira e lhe entreguei, encomendando um serviço - a arrumação de coisas velhas no meu antigo quarto na casa. Senti sua clara emoção, oriunda (creio) muito mais da oportunidade de um afazer, que propriamente do dinheiro recebido. O prazer de ser remunerado por um trabalho, aliado à sensação de ainda ser útil, arrancou daqueles olhos negros, prestes a uma catarata, um brilho singelo, emocionante e sincero. Acho que tenho de volta um amigo negro em minha vida.

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terça-feira, junho 07, 2005

Presente pros namorados

Recebi um emêio de uma amiga querida, um presentão pra quem gosta de literatura. Fui conferir, trêmulo, se tinha alguma coisa de João do Rio. Tinha.
Esse jornalista e cronista, morador contumaz da minha aurícula esquerda, amou e escreveu o Rio de Janeiro desde muito jovem, até 1921, quando morreu, com menos de 40 anos. Com 29, fora eleito para uma cadeira ABL. Quem quiser conferir João do Rio e outros grandes mestres da literatura universal, basta acessar os endereços abaixo e colher obras monumentais que, hoje, são de domínio público e absolutamente de grátis.

http://www.dominiopublico.gov.br
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

Paulo Barreto (João P. Emílio Cristóvão dos Santos Coelho B.; pseudônimo literário: João do Rio), jornalista, cronista, contista e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de agosto de 1881, e faleceu na mesma cidade em 23 de junho de 1921. Eleito em 7 de maio de 1910 para a Cadeira n. 26, na sucessão de Guimarães Passos, foi recebido em 12 de agosto de 1910, pelo acadêmico Coelho Neto.


Obras: As religiões do Rio, reportagens (1905); Chic-chic, teatro (1906); A última noite, teatro (1907); O momento literário, inquérito (1907); A alma encantadora das ruas, crônicas (1908); Cinematógrafo, crônicas (1909); Dentro da noite, contos (1910); Vida vertiginosa, crônicas (1911); Os dias passam, crônicas (1909); Dentro da noite, contos (1910); Vida vertiginosa, crônicas (1911); Os dias passam, crônicas (1912); A bela madame Vargas, teatro (1912); A profissão de Jacques Pedreira, novela (1913); Eva, teatro (1915); Crônicas e frases de Godofredo de Alencar (1916); No tempo de Wenceslau, crônicas (1916); A correspondência de uma estação de cura, romance (1918); Na conferência da paz, inquérito (1919); A mulher e os espelhos, contos (1919).

Tem um texto delicioso neste endereço aí, ó:
http://www.releituras.com/joaodorio_menu.asp

Por enquanto, olhem só:

A RUA (trecho)

João do Rio

"Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se
não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia; o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia, Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua. (...)"

" A verdade e o trocadilho! Os dicionários dizem: "E Domingos Vieira, citando as Ordenações: "Estradas e rua pruvicas antiguamente usadas e os rios navegantes se som cabedaes que correm continuamente e de todo o tempo pero que o uso assy das estradas e ruas pruvicas".
A obscuridade da gramática e da lei! Os dicionários só são considerados fontes fáceis de completo saber pelos que nunca os folhearam. Abri o primeiro, abri o segundo, abri dez, vinte enciclopédias, manuseei in-folios especiais de curiosidade. A rua era para eles apenas um alinhado de fachadas por onde se anda nas povoações.
Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma! Em Benares ou em Amsterdão, em Londres ou Buenos Aires, sob os céus mais diversos, nos mais variados climas, a rua é a agasalhadora da miséria. Os desgraçados não se sentem de todo sem o auxílio dos deuses enquanto diante dos seus olhos uma rua abre para outra rua. A rua é o aplauso dos medíocres, dos infelizes, dos miseráveis da arte. (...) "

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quinta-feira, junho 02, 2005

Livre Pensar

Quando falta o amor, sobra-nos muito pouco de tudo.

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domingo, maio 15, 2005

Golpe geriátrico

Muitos dizem que sou pessimista com relação ao Brasil. Bom, se pessimismo agora é o sinônimo de realismo, então, tá: sou pessimista sim. E a realidade é que esse peís está se transformando num grande mercado popular, onde escrúpulo é negociado a preço de nanana nanica. Delineia-se um futuro sombrio, onde o mau-caratismo de hoje, enraíza a conduta ética de amanhã. Como não ser pessimista, quando se vê o vilipêndio da manipulação da fé pública, por gente que teria a obrigação de fazer exatamente o contrário do que apregoa e faz? Falo das inúmeras propagandas veiculadas na tv por instituições financeiras que perseguem os aposentados e sua parca renda, esses Sísifos da modernidade que, depois da conquista inglória, após mais de três décadas de trabalho, continuam a carregar, montanha acima, o peso de um trabalho qualquer que lhe complemente a renda humilhante. Velho, cansado e excluído, o aposentado brasileiro é muitas vezes, o fiel da balança na hora da contabilidade doméstica. Sem a sua contribuição, muitas famílias passariam necessidade ou seriam simplesmente inviáveis. A fome inviabiliza qualquer instituição. Pois bem: atores, apresentadores de tv, comediantes, entre outros, sorriem cinicamente diante das câmeras para promover empréstimos pré-aprovados, ao seletíssimo grupo de senhoras e senhores aposentados. Com a oferta de dinheiro, a juros pretensamente baixos e a "facilidade" do desconto das parcelas diretamente da conta onde a vítima recebe o benefício, muitos verão aí, uma oportunidade à classe, ofertada por essa turma de banqueiros que querem sempre parecer que são todos "gente muito boa". A voracidade com a qual investem sobre os pobres coitados dos aposentados é quase desumana. Só assim se justifica a contratação de gente do peso de Ana Maria Braga e Hebe Camargo, tudo para convencer os velhinhos incautos, de que apanhar dinheiro a juros bancários é um negócio bom à beça. É bom sim, aliás, ótimo mesmo para os bancos. Imagino hoje, milhares de pobres coitados caindo nesse "conto do vigário", empenhando as velhas cuecas samba-canção e suas camisetas de atleta remador, para dar boa vida ao neto adolescente mal acostumado, ou àquele filho trapalhão, ou ainda àquela espertalhona que lhe balança os seios fartos, com promessas sexuais que nenhum Viagra jamais dará conta. A solidão da velhice os conduz a tolices dessa monta, sim. Explorá-los com acenos desse tipo é covardia imperdoável. Não que eles não precisem de dinheiro; precisam e muito. O que eles não precisam é ser explorados por calhordas engravatados que lhes cobram juros indecorosos, escudados por velhotas ambiciosas, cujas plásticas conseguiram esticar-lhes tudo, menos a vergonha na cara.

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sexta-feira, maio 06, 2005

Uma observaçãozinha (patéticos esses diminutivos...): Como foi Odila quem me indicou, não posso indica-la - lógico! - porque ela já respondeu à enquete. Passo a bola então para a amada Alesie, que também costuma colocar a alma pelo avesso, toda vez que se põe a escrever...

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Ex-Libres da Tugosfera


Interessantíssimo esse espaço lançado por aqui, pelo campeão
Manoel Carlos, esse agrestino porreta que ainda hei de encontrar na Feira de São Cristóvão, um dia. Espécie de Corrente da cultura literária, é uma brincadeira séria muito bacaninha ("que veio da Mica, de As coisas de Micas, que está blogada lá no Agrestino", como me diz Odila), que nos apresenta, uns aos outros, através da leitura. Muito bom.
Pra vocês três, que são a minha indicação carinhosa: responda, indique, e vamos em frente; porque, atrás, sempre vem (por menos que desejemos) muita gente.

Vamos lá, então:


Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?


Um livro que eu mesmo o tivesse escrito, após intensa batalha com a preguiça.

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?

Claro, pelos meus mesmos. Nas minhas historietas eu sou eles todos: a criança atormentada pela arte praticada, o amante traído, a mulher superficial... Somos a nossa fantasia vivida na realidade. Quando a realidade endurece, voltamos à fantasia. Pulamos lá e cá, como meio de sobrevivência. Sou apanhado pelos meus personagens; eles são minha vida viável.

Qual foi o último livro que compraste?

Amores Possíveis, o livro-roteiro do filme. Viver só é difícil mesmo porque a gente continua com essa mania besta de sempre amar a alguém. Outros: Da república, de Cícero; e A República, de Platão. Todos comprados ali, na banca da esquina, baratex...

Qual o último livro que leste?

Meu livro-caixa. Estou traumatizado até agora. Antes, foi A doença como linguagem da alma, de Rüdiger Dahlke que fala dos inúmeros processos psicossomáticos que envolvem a geração de enfermidades e a representação da doença no aprendizado e no desenvolvimento humanos. Uma longuíssima viagem. na verdade, deveria ter invertido a ordem da leitura. Fiquei malzão, depois de ler meu livro-caixa.

Que livros estás a ler?

Estou iniciando um agorinha: Os Passos de Juliana Yanakieva, de Roberto Pereira, publicação patrocinada pela Fundação de Arte de Niterói, e que fala do mundo do balé clássico, tão hermético para os que não o praticam e/ou o freqüentam. Uma viagem que começa na Europa de antes da Guerra, e vem até a década de 90, aqui pela terrinha. Um belo passeio. Na fila: A confissão de um filho do século, de Alfred de Musset.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Só poderia levar cinco? Não é justo.
Primeiro, convidaria a beldade da Nerisa, para o tempo de entre-leituras. Então, eu levaria os autores, o que seria muito mais divertido: Cecília com seu caderninho de poesias, as crônicas de João do Rio, ditadas por ele mesmo, todo o cinismo cáustico de Wide, a personalidade crítica de Dante Alighieri, a essência socratiana de Platão, a grande comédia de Dante e, como ninguém é de ferro, Veríssimo, esse palhaço adorável. Ficaria vendo essa turma toda conversando e depois perguntaria tudo ao Millôr, que a essa altura já não me daria a menor atenção. Na verdade, levaria o pensamento desses autores, junto com leituras de Raul Pompéia, Érico, Eça, Graciliano, o romantismo de Maria Valéria Rezende. Sei lá, mas acho que levaria mais uns dez blogueiros que escrevem como poucos...

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?

Um dos meus prediletos, pela qualidade de pensamento é o Paulim, do Rindo de Nervoso. A indicação da digressiva Odila, que me fez desmanchar, escorrer pelo sofá e molhar a sala toda de tão honrado, não é um agradecimento; é, antes de tudo, uma força a mais pelo reconhecimento de uma moça que escreve com as tintas da alma. E como é tingida de cores, essa alma amiga... Pra fechar, a indicação de quem mudou profundamente a minha visão dos portadores de deficiência física: Marcela Cálamo, do Maré, que abriu-me uma janela para um mundo diferente, de pessoas diferentes que são iguaizinhas à gente. Agora eu sei que são. Obrigado, Marcela.



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domingo, abril 10, 2005

A piada é antiga e teve lá o seu momento, principalmente como uma sátira à ineficiência do regime soviético. O tempo passou, Berlim Oriental renasceu e a piada do capitalismo também. Em sua nova versão, ficou tão bacaninha que resolvi postar aqui, pra gente se divertir um pouco.


As várias formas de capitalismo


CAPITALISMO IDEAL:
Você tem duas vacas.
Vende uma e compra um touro.
Eles se multiplicam, e a economia cresce.
Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!

CAPITALISMO AMERICANO:
Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS:
Você tem duas vacas.
Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e
produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo
inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO:
Você tem duas vacas.
As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS:
Você tem duas vacas.
Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO:
Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário
previamente estabelecidos, de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO:
Você tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você para de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUIÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL:
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS:
Você tem duas vacas.
E reclama porque seu rebanho não cresce...

CAPITALISMO HINDU:
Você tem duas vacas.
Ai de quem tocar nelas!

CAPITALISMO ARGENTINO:
Você tem duas vacas.
Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês...
As vacas morrem.
Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO:
Você tem duas vacas.
Uma delas é roubada.
O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca.
Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente
a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas (duas) e não pelo de
vacas reais (uma).
A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de
leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas
e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar
por isso mesmo...


Nota Fúnebre:
Por isso eu resouvi desativar minha pequena empresa, que, embora quase tenha me matado do coração, gerava mais de cem empregos e dava mais um trocado pro governo. Sinto saudades, é verdade. Mas, enquanto esses calhordas estiverem no poder, trabalho aqui, na minha sala, assistindo tv. parando pra comer um chocolate e achando graça do ridículo desses palhaços, que acham que somos idiotas. Ainda há chegar o dia em que nós retomaremos esse país. Eduquemos nossos filhos então, para que não sejam tão facilmente manipulados, como o vem sendo essa nossa geração.

Thimóteo, que já foi mais Rosas...

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domingo, abril 03, 2005

Ah, se o Nilson fosse vivo...


Não, nada de falar da morte do Papa. Nós não éramos mesmo muito chegados. Ele nunca falou comigo, nem me telefonou ou mandou uma cartinha sequer... Um "Feliz Natal"? Nem pensar... Não vou falar da morte do Papa. Ele não falaria da minha; ou dos trinta infelizes assassinados pela insanidade de um grupo de idiotas hitlerizados que acham que a vida é... Bom, será que eles sabem mesmo o que é vida? Ah, deixa pra lá. Eu não vou falar da morte do Papa mesmo...

Mas, essa história me lembrou do Nilson, uma das figuraças da família Ramalho, emoldurado no mesmo álbum de Totó Ramalho (lembram?), nascido e "morrido" no subúrbio carioca do Méier.
Nilson era a gaiatice personificada. Marido de Socorro Ramalho, prima de grau primeiríssimo de minha mãe, foi apresentado no esplendor da juventude ao sisudíssimo velho Sindolfo, pai de Socorro, que não gostou nada do que viu. Seu Sindolfo era o campeão laureado dos torneios de "buraco" da família. Seu Sindolfo não suportava a derrota. Quando perdia, não era apenas o jogo: perdia a cabeça, as estribeiras, a compostura e a razão. Seu Sindolfo perdia todo. Engraçadíssimo. Começava jogando com um enorme charuto na boca. Ao final, restava um chiclete quente e esfumaçante de tabaco. E o Nilson ria às suas costas por cada derrota. E ai dele se risse à frente. Deixemos seu Sindolfo, porém.

Nilson, o gaiato, trabalhava na revista Manchete, no seu auge. Sempre que surgia a oportunidade, enchia os pulmões para bradar, orgulhoso, um "eu trabalho na Manchete"... Os incautos pensavam que a revista só chegaria às bancas após o seu crivo, seu "de acordo" em todas as páginas recém saídas do prelo, regidas por um calhamaço de memorandos com reprimendas e recomendações. Talvez ele sonhasse com isso lá da sua seção, a Contabilidade Geral.

Cínico, debochado, alegre e divertido, vivia aprontando com o mundo. Cantava apenas em inglês. Duas músicas: "Yesterday" e "Only You". Only. Show man de subúrbio, esse The Platters do Méier, performático e irreverente, cantava até em enterro, se lhe dessem mole. Romântico, interpretava Only You com aquele olhar-de-peixe-morto pra Socorro, que logo escorria pela cadeira, de tão derretida. Eram mesmo apaixonados.

Mas, Nilson tinha lá seus pontos fracos e a turma dos cunhados não deixava passar. O cunhado Chico que o diga.
Incumbido de apanhar os pertences de um amigo recém-falecido, numa cidade próxima, Chico trouxera, numa bolsa, todo o legado do morto. Documentos, roupas, pequenos pertences e lembranças, e uma dentadura, verdadeiro tesouro para um plano maquiavélico: aprontar com o Nilson.
Um fim-de-semana de sol, com todos reunidos na casa-de-praia do Chico, em Rio das Ostras, foi o palco ideal para a comédia.
Feliz proprietário de uma reluzente dentadura, que classicamente pernoitava em um copo com água, Nilson acordou meio de ressaca da noite anterior, pegou sua prótese e escovou-a com carinho. Lavou daqui, esfregou dali, e enfiou na boca. Tentou encaixar, fez trejeitos, entortou o queixo e nada. Mordeu, forçou, mas nem assim. Acabou de acordar e foi ter à mesa, onde todos tomavam café. Arrancou aquele "teclado" da boca e tacou com força na mesa, brandindo pelo espaço vazio dos dentes:

- Essa porra não é minha!!!

Até hoje todos caem na gargalhada quando lembram...
E o Papa, que agora tá lá com Nilson, que se cuide. Vai ouvi-lo cantar "Yesterday", talvez até mesmo em dupla com Lennon...
O céu não é mais o mesmo.

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sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Essa história eu li outro dia, quando a recebi num emeio; achei que faltava alguma coisa nela. O final não era bem assim, não era muito legal e nem satisfazia minha eterna aspiração romântica. Volto de férias e adoto uma tônica romântica para esse 2005. Eu sei que não adianta de nada. Mas acho que o mundo fica com menos graça quando sonhamos menos.

Estou de volta.

A Máscara Mágica

Era uma vez, um lorde muito influente e poderoso que tinha milhares de soldados sob o seu comando, e com os quais conquistou grandes domínios para si mesmo. Ele era sábio e corajoso, respeitado e temido por todos, mas ninguém o amava. A cada ano que passava ele ficava mais severo, mas também mais sozinho, e seu rosto refletia a amargura de sua alma gananciosa, pois linhas profundas e feias demarcavam sua boca cruel que nunca sorria, e rugas sulcavam permanentemente sua testa.

Ele encontrou, porém, em uma das cidades que governava, uma linda donzela a quem observara por muitos meses nos seus afazeres entre o povo. O lorde se apaixonou pela moça e quis desposá-la. Decidiu ir falar com ela. Vestiu sua roupa mais fina e colocou um coroa de ouro na cabeça. Ao olhar-se no espelho para verificar a impressão que causaria à linda dama, não viu nada além de um semblante que, a ela, lhe causaria medo e lhe daria motivos de sobra para que não gostasse dele: um rosto cruel e duro que ficava ainda pior quando tentava sorrir.
Então, ele teve uma idéia audaciosa e, para realizá-la, mandou chamar um mágico, a quem ordenou:

- Faça-me uma máscara da cera mais fina, para que esta acompanhe cada movimento do meu rosto; mas pinte-a com suas tintas mágicas para que tenha uma expressão agradável e bondosa. Coloque-a no meu rosto de maneira que eu nunca mais tenha que tirá-la. Faça uma máscara bonita e atraente. Use todo o seu talento para isso e eu pagarei qualquer preço.
O mágico respondeu:

- Eu posso fazer isso com uma condição. O senhor terá que manter o seu rosto dentro das linhas que eu pintar, porque, caso contrário, a máscara ficará estragada. Uma única carranca vossa, e a máscara ficará irremediavelmente estragada e não poderei substituí-la.

- Farei tudo o que me pedir - disse o lorde, ansioso. "Qualquer coisa para conquistar a admiração e o amor da minha dama" - exclamou.
- Diga-me como posso evitar que a máscara rache.

- O senhor precisa ter pensamentos bons - respondeu o mágico. E para isso precisa de fazer boas ações. Precisa ter um reino feliz, em vez de um reino poderoso. Tem que substituir a ira por compreensão e amor. Construa escolas para seus súditos e não somente prisões; hospitais e não somente navios de guerra. Seja gentil e cortês com todos.

E então foi feita a máscara maravilhosa e ninguém teria adivinhado que não era o verdadeiro rosto do lorde.

Os meses foram passando e, embora a máscara tenha freqüentemente corrido o risco de ficar estragada, o homem lutou muito consigo mesmo para mantê-la intacta. A linda moça tornou-se sua esposa e seus súditos se maravilharam com a transformação milagrosa que tinha ocorrido com ele. Atribuíram isso à sua encantadora companheira que, diziam eles, o havia tornado como ela.
À medida que a cortesia e a consideração foram permeando a vida deste homem, a sinceridade e a bondade também se fizeram presentes, e ele logo se arrependeu de ter enganado a sua linda mulher com a máscara mágica.
Finalmente, não conseguia agüentar mais esse pensamento e mandou chamar o mágico.

- Retire de mim este rosto falso - pediu. Tire esta máscara enganadora que não representa a minha pessoa!

O mágico então respondeu:

Se eu a tirar, nunca mais poderei fazer outra e o senhor terá que ficar com o seu rosto para o resto da vida!

- Eu prefiro isso - disse o lorde - que enganar aquela, cujo amor e confiança eu ganhei por meios desonestos.

- Prefiro ser desprezado por quem amo, que continuar fazendo algo que ela não merece. Tire a máscara, eu lhe ordeno que tire a máscara!

O mágico, num gesto rápido, tirou a máscara e o lorde, angustiado e assustado, correu aos seus aposentos, procurando ver-se no espelho. Seus olhos se animaram e seus lábios se abriram num sorriso radiante, pois as linhas feias haviam desaparecido. A carranca havia sumido e seu rosto estava exatamente igual ao da máscara que ele usara por tanto tempo! E quando voltou para junto da sua amada esposa, ela viu apenas as feições normais do homem que amava.

Encantado, o lorde foi ter com o mágico, para contar-lhe que o risco suposto era infundado. Ao que o mágico respondeu:
- Senhor, jamais te coloquei máscara alguma, que não a fina camada de goma arábica que tiraste do rosto no primeiro banho. A verdadeira máscara tu mesmo a fizeste, com teus atos de bondade, perseverança e o grande amor que desenvolveste em teu coração. Segue, agora só, lorde, pois de mim não mais precisas. A magia do amor, aquela que pode tudo, agora é verdadeiramente tua, para sempre.

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terça-feira, janeiro 18, 2005

Ano-novo

Os amigos devem estarestranhando a minha ausência. Mas, por conta do trabalho (estou fora do Rio por três dias na semana), me falta tanto o tempo, que reservei um post só pra ele. Não fiquem assim, tão tiriricas comigo. Continuo amando-os, cada vez mais e mais.

Não, eu não poderia deixar de desejar um feliz ano novo aos meus amigos queridos, ainda que com duas semanas de atraso. Nem que seja por gozação - coisa que de vez em quando exercito -, esse ano eu faço meus votos de "Próspero Ano-novo", como me diz o síndico do meu prédio, na mensagem do mural lá no térreo, ou como se estampa, quase que ironicamente, em papéis, "folders", cartões e propagandas institucionais, daquelas mesmas instituições que nos infernizam a vida o ano inteiro. Eu não infernizo a vida dos amigos - eu acho.

Então, tá: Tudibom no novo ano, e que a paz seja eterna em nossos corações. Pronto, está feito. Agora vamos ao que interessa mesmo nesse papo-furado: os Ritos de Passagem.

Por muito tempo fui inteiramente avesso a essa coisa de ?tudibom? na passagem de ano, de "tudibom" no Natal, etc. Afinal, - pensava - essa coisa toda não passa de uma comemoração viciada que não muda nada na vida das pessoas e é apenas mais um motivo para a turma farrear, encher a cara e sair por aí desejando, num dia, o que deveria ter nos desejado e dito o ano inteiro. Pura falácia, eu achava.

Hoje penso novo, tudo diferente. Aprendi que precisamos sempre da ?passagem? diferenciada das fases, os ritos. São eles que marcam nossas atitudes, moldam as crenças e as esperanças de podemos interferir no destino, que podemos mudar nosso rumo, que somos donos de alguma coisa de nossas vidas. Os ritos são assim, fundamentais para nossa existência, quer gostemos deles ou não.

Segundo o velho e bom Aurélio, que se desmantela na prateleira aqui da minha sala, rito significa "qualquer cerimônia de caráter sacro ou simbólico que segue preceitos estabelecidos". Assim, existem os ritos sacros, fúnebres, iniciáticos, de passagem, etc. Alguns ritos podem conter rituais, outros não. De qualquer forma, precisamos dele nos casamentos, batizados, enterros, despedidas de solteiro, o escambau... O do ano-novo é o rito da passagem para um novo tempo, uma nova esperança de que todo o mal já passou, que estamos nos preparando para uma nova vida. Para ele, o tempo, um texto interessante, que achei por aí...

O valor do Tempo

Imagine que você tenha uma conta corrente e a cada manhã você acorde com um saldo de R$ 86.400,00.Só que não é permitido transferir o saldo do dia para o dia seguinte. Todas as noites o seu saldo é zerado, mesmo que você não tenha conseguido gastá-lo durante o dia. O que você faz? Você irá gastar cada centavo, é claro! Todos nós somos cliente deste banco que estou falando. Esse banco se chama TEMPO. Todas as manhã é creditado para cada um 86.400 segundos. Todas as noites o saldo é debitado, como perda. Não é permitido acumular este saldo para o dia seguinte. Todas as manhãs a sua conta é reinicializada, e todas as noites as sobras do dia se evaporam. Não há volta. Você precisa gastar vivendo no presente o seu depósito diário. Invista, então, no que for melhor, na saúde, felicidade e sucesso!O relógio está correndo. Faça o melhor para o seu dia-dia.
Para você perceber o valor de UM ANO, pergunte a um estudante que repetiu de ano. Para você perceber o valor de UM MÊS, pergunte para uma mãe que teve o seu bebê prematuramente. Para você perceber o valor de UMA SEMANA, pergunte a um editor de um jornal semanal. Para você perceber o valor de UMA HORA, pergunte aos amantes que estão esperando para se encontrar.Para você perceber o valor de UM MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu um trem. Para você perceber o valor de UM SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para você perceber o valor de UM MILISEGUNDO, pergunte a alguém que venceu a medalha de prata em uma Olimpíada.Valorize cada momento que você tem! E valorize mais porque você deve dividir com alguém especial, especial suficiente para gastar o seu tempo junto com você. Lembre-se o tempo não espera por ninguém.Ontem é história.O amanhã é um mistério. O hoje é uma dádiva.Por isso é chamado de PRESENTE!!!

Que o tempo seja o senhor das nossas melhores atitudes em 2005...
Beijo para todos!



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